Arquivado em: Curiosidades, Grupo A | Tags: Alemanha, Euro 08, Eurocopa, Festa, Frankfurt, Polônia, Suíça, Turquia
O EuroMania traz ao leitor uma colaboração de uma correspondente na Alemanha. Kívia Costa é estudante de Jornalismo da ECA/USP e está em Frankfurt (ALE). Ela conta suas impressões sobre a festa da torcida turca após a vitória de 2 x 1 sobre a Suiça:
“Türkiye, Türkiye, Türkiye!” Os gritos eram entoados por torcedores com caras pintadas, camisetas vermelhas, buzinas, tambores e bandeiras com uma lua e estrela ao centro. Muitas bandeiras.
Seja no tamanho ou em número, elas eram no mínimo três vezes mais que as alemãs no domingo passado, depois da vitória contra a Polônia.
Estamos na Hauptwache, região central de Frankfurt am Main e é inevitável não comparar a festa das torcidas nesses dois dias. No fim de semana, a volta instantânea e quase silenciosa dos germânicos para casa. “É que amanha é segunda-feira, muitos precisam trabalhar”, comenta um amigo alemão.
Nesta quarta-feira, o buzinaço de carros e motos é ouvido de longe. A música e os gritos ritmados da torcida, idem. Comento a diferenca com um rapaz ao meu lado. Ele observa entre risos “mas acho que menos alemães do que turcos nesta cidade”.
A torcida usa toda a criatividade para comemorar. Na entrada do metrô, fazem uma “roda de samba” – na verdade, toca dança do ventre. Os homens entregam-se à danca.
Um rapaz de cerca de vinte anos, bandeirinhas turcas pintadas no rosto e lenco vermelho na cabeca, se põe a rebolar no meio da roda. Ele levanta a camisa número 10 e mostra como os turcos sabem mexer a barriga. É imediatamente acompanhado por um colega. As mulheres vão ao delirio e se juntam à festa. A cena me faz decidir o destino da minha próxima viagem.
As demonstrações de euforia nao param por aí. A bandeira turca vira lenço de cabeca para as torcedoras mulçumanas. Ela é também pano da “tourada” dos pedestres desviando dos carros que passam, inclusive um da polícia.
Esse recebe tratamento especial: o torcedor coloca um cachecol da Turquia no para-brisa, vira de costas e mostra que não são apenas os brasileiros que sabem mexer a parte de trás.
Todos os carros que passam trazem no mínimo uma bandeira e, no mínimo, uma pessoa pendurada na janela ou sentada no teto solar para sacudir essa bandeira. Na praça, um grupo de torcedores sauda-se com um particular gesto de mão, típico dos shows de rock: o dedo polegar une-se ao médio e anelar, enquanto o mínimo e indicador apontam para cima (chifres).
Pergunto a um dos espectadores qual o significado daquilo: ”Esse gesto é proibido! Representa o nacionalismo turco. Não tão forte como a saudação de Hitler, mas vai nessa linha…”
Em seguida, vejo o rosto de um homem estampado numa das bandeiras. Quem é? “Mustafa Kemal. Ele criou o Estado turco, pouco antes da I Guerra Mundial, quando as potencias européias dividiam a Turquia. Foi o primeiro presidente do país”.
Não pude deixar de perguntar ao meu informante, um croata, como ele sabia tudo aquilo. “Meu melhor amigo é turco”, explica ele.
Olho no relógio: uma e meia da manhã. Faz frio e vou fechar a janela. Ouço um barulho na escuridão do gramado. “Estamos te incomodando, Kívia?” Era o meu vizinho, com outras duas pessoas. Cada um traz uma bandeira da Turquia. “Não, não… estou ouvindo música… e escrevendo sobre vocês” (risos).
“Entao vem aqui embaixo comemorar com a gente!”
Sem comentários ainda até agora
Publicar um comentário
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>