EuroMania 08


Título merecido

Melhor ataque, melhor defesa, melhor goleiro, melhor volante e o artilheiro. Seria injusto se o título não ficasse com a Espanha.

Diferentemente de outros anos, quem “pipocou” foram Holanda, Rússia, França, Itália. O time espanhol soube dosar ataque e defesa com inteligência.

A Alemanha foi um duro oponente para os espanhóis e justificou por que chegou à sua sexta final de Eurocopa: durante os primeiros 20 minutos pressionou a meta de Casillas. Mas o goleiro levou a melhor em todas as bolas alçadas à área da Espanha.

Um desvio de Metzelder contra a própria meta foi, ironicamente, a primeira grande chance da Espanha. A Fúria equilibrou as ações e fez prevalecer seu toque de bola. Isso cansaria os alemães, sem tantas opções no banco de reservas.

Cruzamento de Sérgio Ramos para Torres aos 21 minutos e bola no poste de Lehmann. Com Fabregas e Silva apagados, brilharam Senna e Xavi.

E foi do meia barcelonista o passe para o gol (do título) espanhol: jogada nas costas de Lahm, Torres ganhou na corrida e foi rápido o suficiente para tocar por cima do arqueiro germânico: 1 x 0 (foto).

Torres salta Lehamann após fazer gol do tÃtulo

Foto: AFP

Primeiro tempo equilibrado e vantagem conseguida às custas do suor de Torres. Com a contusão de David Villa, a Espanha jogou com cinco meias: Senna, Iniesta, Villa, Fabregas e Silva. Assim, o avante do Liverpool jogou praticamente sozinho contra a defesa da Alemanha.

Marcos Senna foi brilhante na marcação de Ballack: o meia do Chelsea quase não apareceu no ataque. Iniesta e Schweinsteiger fizeram duelo equilibrado e Xavi deitou e rolou em cima de Frings.

Para o segundo tempo, mudanças nos dois times: Jansen e Kuranyi substituiram Lahm (em má Jornada) e Hitzlsperger no time alemão; Alonso entrou no lugar de Fabregas (sumido) na seleção espanhola. Aragonés reforçou o meio-campo, enquanto Joachim Low só pensava em atacar.

Chances alemãs no segundo tempo foram bem poucas: aos 14 minutos, Puyol faz lambanças e Ballack chuta de fora, assustando Casillas. Mas não foi muito mais do que isso.

Um pouco antes, Torres quase marca o segundo em jogada muito parecida à que deu origem ao gol espanhol. Melhor preparada fisicamente, a Espanha trocava passes e fazia a Alemanha correr.

Silva, nervoso, deu lugar à Cazorla aos 21 minutos. Dois minutos depois, Iniesta chuta e Frings salva em cima da linha. Cansado, Torres daria lugar a Guiza aos 38 minutos da etapa final.

No desespero, o treinador alemão tira Klose – seu melhor atacante hoje – e põe Gomez: é a cartada final. Nada disso resolve, pois a bola não chega ao ataque alemão. Aos 36, Marcos Senna perdeu a chance de definir a partida ao chegar atrasado para escorar cruzamento da esquerda.

Os últimos dez minutos foram prova do nervosismo e desorganização alemães: Mertersacker virou atacante, Kuranyi fazendo cortes na zaga e Metzelder carregando a bola.

Pipocar? Não dessa vez. Parecia que as camisas estavam trocadas e era a Espanha quem contra-atacava e jogava com eficiência. Raça e catimba foram outras das armas do time espanhol, campeão com justiça. Antecipando a pergunta: para mim, o herói do título foi Casillas.

Confesso minha aposta numa final Alemanha x Itália, com vitória alemã. Parabéns ao Renato, meu colega nesta cobertura de Euro. Ele acreditou piamente nessa conquista. Chega a ser injusto ele não poder escrever este post.

Falei com o Renato pelo telefone e tive a impressão de voz embargada, de emoção. Ele, obviamente, nega!


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